segunda-feira, 3 de julho de 2023

Encostei a cara contra o vidro
e chorei!
Olhei a natureza
por entre aqueles pingos de dor
que entristeciam
ainda mais do que a chuva
as flores que murchavam lentamente!
Senti-me só!
Agarrei desesperada um livro
de poesia
procurando assim
a alegria que não tinha!
Mas…
Senti-me ainda mais abandonada
vi ainda mais nitidamente
que as flores murchavam para SEMPRE!
Apeteceu-me ser CRIANÇA
MAIS CRIANÇA do que já fora algum dia.
Quis NUNCA ter sonhado
que seria herdeira
desse reino belo
que as fadas faziam para MIM!
Fechei os olhos!
Seria bom reviver
se a realidade se não impusesse agora
e me dissesse
que era PRECISO RECOMEÇAR!
RECOMEÇAR!
RECOMEÇAR
quando o que nos parecia BELO
e REAL
se transformava assim
num CAOS!
Recomeçar LENTAMENTE
quando víamos
ter que ser
MAIS VELOZES QUE O TEMPO
para que ele
não nos ULTRAPASSASSE
sem CAIRMOS!
Era preciso
gritar VIDA
subtrair ao SORRISO
todo o seu desespero
e então
sorrir por sorrir!
Era preciso olhar ADIANTE
subtrair  ao passado
as pedras OCAS
que nos tinham feito CAIR!
Era preciso…
Era preciso
SER OUTRO EM NÓS
ou
SERMOS NÓS NOUTRO!

(Letícia Peres, 11 de Abril de 1972)

segunda-feira, 15 de maio de 2023

"I look around my library some nights and I do these terrible things to myself - I count up the books and think, how long I might have to live and think, I can't read two-thirds of these books. It overwhelms me with sadness." (David Bowie)

segunda-feira, 17 de abril de 2023

JOAQUIM PESSOA (1948 > 2023)

O poeta, artista plástico e publicitário Joaquim Pessoa, autor de poemas como "Lisboa, menina e moça" e "Amélia dos olhos doces", morreu esta segunda-feira, aos 75 anos, vítima de doença prolongada, informou a editora Edições Esgotadas. O escritor José Jorge Letria confirmou à Lusa a morte de Joaquim Pessoa na última madrugada, adiantando que o poeta estava internado e que lutava há muito tempo contra uma doença grave. O também poeta e jornalista, que era próximo de Joaquim Pessoa, destacou a sua extensa obra poética, lembrando que foi autor de letras musicadas e interpretadas por Carlos Mendes, como é o caso da "Amélia dos olhos doces", uma das mais famosas, bem como de "Lisboa, menina e moça", criada em parceria com José Carlos Ary dos Santos e Fernando Tordo. Considerando que o país perdeu um "poeta importante", José Jorge Letria lembrou, a esse propósito, que foi criado na Moita um prémio de poesia anual com o seu nome.

Joaquim Pessoa viu ainda o seu nome ser atribuído a ruas na Baixa da Banheira (também no município da Moita) e no Poceirão (concelho de Palmela). Nascido no Barreiro a 22 de fevereiro de 1948, Joaquim Maria Pessoa destacou-se profissionalmente como poeta, artista plástico, publicitário e como estudioso de arte pré-histórica. Formado em Marketing e Publicidade, foi diretor criativo e diretor-geral de várias agências de publicidade e autor ou coautor de diversos programas de televisão, como "1000 Imagens", "Rua Sésamo" e "45 Anos de Publicidade em Portugal", entre outros. Joaquim Pessoa foi também director da Sociedade Portuguesa de Autores, entre 1988 e 1994, director literário da Litexa Editora, director do jornal Poetas & Trovadores, colaborador das revistas Sílex e Vértice e do jornal a Bola. Juntamente com Ary dos Santos, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Luiz Villas-Boas, entre outros, fundou a cooperativa artística "Toma Lá Disco". Em colaboração com Luís Machado, organizou em 1983 o I Encontro Peninsular de Poesia, que reuniu prestigiados nomes da poesia ibérica. Conta com mais de 600 recitais da sua poesia, realizados em Portugal e no estrangeiro.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

A FILOSOFIA DA CANÇÃO MODERNA

 

Título original: The Philosophy of Modern Song (2022)

Editora: Relógio D’Água Editores (Fevereiro de 2023)

Tradução: Pedro Serrano e Angelina Barbosa

Capa: Carlos César Vasconcelos, sobre foto de Bruce Perry 
(Little Richard, Alis Lesley e Eddie Cochran, aeroporto de Sydney, 28/09/1957)

Dimensões: 189 X 231 X 25 mm

Nº de páginas: 364

ISBN: 978-989-783-318-2

A Filosofia da Canção Moderna é o resultado de um trabalho iniciado em 2010, no qual Bob Dylan expõe a sua perspectiva da natureza da música popular. Escritos numa prosa única, os mais de sessenta ensaios focam-se em canções de outros artistas, desde Stephen Foster a Elvis Costello, ou de Hank Williams a Nina Simone. Apesar de, ostensivamente, serem sobre música, são meditações e reflexões sobre a condição humana. O livro conta ainda com uma cuidadosa recolha fotográfica, que é um dos pontos altos desta magnífica obra.